Eu tenho saudade de tantas coisas boas e tantas coisas vãs. Por isso descrevo, anoto tudo, assim completo o meu álbum mágico da felicidade...

quinta-feira, 13 de março de 2008

Noite, silêncio e poesia.

Meu corpo e meus braços
o contorno de minhas curvas
os meus ombros arregalados
diante você estirava os olhos
fazia sugestões.. admirava
e falava do sol e da lua
como ninguém tinha dito antes
fotografava o ar e o momento
fazia do instante uma arte
eu só precisava te abraçar
saber que haveria um amanhã
mesmo depois daquela manhã
sendo ouvida no silêncio de um bar
até ante álcool e éter e cigarros
até ante um momento interrompido
a manhã ainda soube se impor
e sustentar o que seria sol e dor
mas teu tempero e teu avesso
duraram dois dias e o tempo parou
ficou só amor.. só o amor
por isso ainda te quero
mesmo te ter sem possuir
porque de todas as outras noites
e de todos os outros laços
é você que realmente quero bem
mesmo que eu acorde estirada num bar...

  • Foto: A. Fontelli

segunda-feira, 3 de março de 2008

Pintado


E de repente, ele olha nos olhos dela, e vê que aquela figura alva agora desbota de tantas cores, e diz: “Não gosto de você pintada”. Pois de tanta beleza e brancura que se via, numa pele linda e rosto novo, agora estava ancorado com todas aquelas cores. E de rosto de menina, com toda a inocência, virava agora uma mulher, com toda a malícia embutida num só olhar. Parecia até que o mundo se transformava ao seu redor, e o que antes era insólito agora era terreno, apenas por causa de um rosto, pintado...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Fico imaginando.


Fico imaginando... Quando eu não puder seguir mais uma linha reta, acertar um corte com a tesoura, andar até o interruptor para apagar uma luz, botar a água do café no fogo, enxergar as letras miúdas do livro, me abaixar para pegar um papel no chão e afagar miúda a cabeça de um cachorro. Quando eu não puder mais me segurar sozinha sem ter que me apoiar em um vão de escada, quando não puder mais levar o garfo à boca e quando as pessoas começarem a olhar com pena para mim. Imagino o dia que uma noite vai chegar e eu não vou mais conseguir fechar os olhos de tanta vontade de levantar para olhar o luar, mas não vou querer incomodar ninguém. O dia em que eu vou precisar das pernas alheias para me levar pra algum lugar e eu não puder mais fazer meu próprio caminho. Não puder mais escolher as minhas roupas, nem amarrar os meus sapatos, nem ao menos ir até a janela por vontade própria e meus lábios de tão secos nem sentirem mais um beijo. Ficar sem utilidade. Na inutilidade. Contar “estórias da minha cabeça”, ficar com as mãos trêmulas e ter os olhos semi-abertos e parados. O dia em que respirar vai ser muito mais difícil do que um dia foi dizer um eu te amo sem estar sendo realmente sincera, o dia em que minhas palavras não valerão mais, que eu olhe aquela velha foto com uma menina magrela e sardenta e perceba que meus traços já foram todos apagados e que serei tratada simplesmente como velha. Fico aqui imaginando.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Pessoas



Tem pessoas chegando em meu caminho, ah que pessoas... deliciosas pessoas, pessoas estonteantes, pessoas divinas, pessoas amáveis, pessoas sozinhas, pequenas e grandes pessoas, pessoas que estou amando, pessoas amigas, queridas pessoas...


domingo, 20 de janeiro de 2008

Nuvens e girassóis


Mas é claro que somos livres
e percebo isso nessa vastidão de tudo
no sol que me arde ao meio-dia
numa penumbra e num orvalho
num galho seco e no meu deserto sertão
num choro amargo e doentil de um bebê
numa cozinha trancada de chaves
e num pássaro que me visita todas as noites
as nuvens são o objetivo de um caminhar
as nuvens, o arco-íris e os girassóis...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Maria esperança

Ai meu deus, cadê Maria esperança?
Vem cá esperança, me abraça e me trança
Esperança meu bem, não me deixe, não se vá...
Me traga um chá, me beije, me amasse
Esperança, me canta, me olha
Me dá tua mão, me pega no colo

Esperança se foi
E em meio aos seus papéis
Esperança se perdeu
E esqueceu como é amar
Esperança, querida
Não chore, foi você que ensinou
Que quem espera sempre alcança...

sábado, 29 de dezembro de 2007




tudo é amor

e amor é foda!

domingo, 11 de novembro de 2007

Passos.

desejo-lhe aqui

não somente em meus pés

sapatos e alpercatas

desejo-lhe de tudo

de tão braço e abraço

tão carente, tão ardente

de fome de amor por mim

desejo-lhe perto

com tuas alpercatas

molhadas de chuva

e que tu não vá embora

sem ao menos um adeus

deixando só sapatos

sandálias e alpercatas

sem teus passos

nos meus.


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*Estas coisas estão ficando cada vez mais românticas... acho que isso quer dizer tédio.
...

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Sobre mulheres e o amor:


"Uma mulher sabe quando um homem olha pra ela e a vê somente nua. Sabe quando ele começou e onde ele deixou de amá-la. Se ele te olha nua então tu sabes que não é amor. Quando ele te amar de verdade então será capaz de te olhar e enxergar apenas teus olhos. Porque é lá onde se concentra todo o amor. O sexo é apenas a medida casual. o transbordamento do tudo do amor, este sim, acaba na cama; Enrolados em dois lençóis brancos e um pequeno raiar do sol a clarear-lhe os olhos; aí, onde tudo começou..."

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Olhares.


E parecia que ela estava lá...
Mas não estava.

E parecia que ele estava lá...
E ele estava.

E ela, tão singela, de cabelos marrom-dourado e pele bronzeada, permeava sempre pelos sonhos dele, mas ela nem o notava.

Ela não o queria.
Ela não o amava.

Não, definitivamente não!

Os olhos dela olhavam outro...
E os olhos do outro também a olhavam...
E eles se enxergaram...

E isso acontece diariamente.
Ansiosamente...
Completamente.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Sonhos

Não posso falar de sonhos
Eles não possuem fórmulas
Nem são contados nos livros
Apenas são sonhos, são contos
Podem vir no momento certo
Pra nos dizer alguma coisa
Sonhos são como...
E nos deixam a esperar o resto
Nunca tem começo meio ou fim
Sonhos são como as minhas lembranças
Melhores do que o real.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Fotografia...



A vida ali parece mais bonita, principalmente com um efeito de luz, melhora um bocado, agora tenta passar ela pro real, longe das luzes e dos flashs, repara agora, como ela fica mais difícil...




quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Carta ao louco:


"Eu disse pra ele muitas coisas, coisas que ele gostaria e que precisava ouvir, coisas que a gente só de dispõe a dizer pra quem a gente gosta. Mas no fundo eu queria dizer algo pra ele...
Falar sobre os meus sentimentos, sobre o que eu sinto por ele, e que eu não podia atirar tudo assim de vez na cara dele, porque eu tinha certeza que ele iria fugir...
Eu não disse tudo o que eu sentia, na verdade, eu não disse nada sobre mim, só sobre ele, sobre o que eu conhecia dele, e fiz isso na tentativa de amançá-lo, de fazê-lo ver que eu é que servia para ele, de provocar nele alguma emoção além desse tempo gélido que pairou sobre ele...
Eu precisei enganá-lo, dizer que amava outro, fazê-lo pensar que estava livre de mim, porque se eu dissesse que o amava, ele certamente me abandonaria...
E no fim não seriam tudo flores e sim lágrimas derramadas e um abandono sem perdão...
Dizer tais palavras não resolveram todos os problemas, talvez não tenha resolvido mesmo nenhum, mas fez eu me sentir livre e ir dormir sem derramar nenhuma lágrima, porque sei que ele precisa de mim, e sei que ele também me ama..."

11 de Abril.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Mariângela e as telas.


Mariângela tinha olhos enormes e sempre ficava à frente da tevê, a iluminar aqueles grandes olhos.
Dobrava os joelhos e encolhia-os junto a si em cima do sofá creme da sala de sua mãe.
E ficava vidrada.
Era terror, comédia, ação, romance, drama, épico, tudo quanto é gênero de filme Mariângela gostava.
Parecia tecer um mundo sobre aquilo. Sobre tudo quanto é vida, que o cinema construía.
Ela nem precisava de amigos.
E quando as luzes se apagavam, e o brilho fosco a contornava, ela inclinava levemente seu rosto para frente e mergulhava de vez na estória.
E um dia ela entrou... entrou naquele mundo e se tornou personagem, vivendo cada drama e cada estória e sentindo cada personagem como ela sempre desejou.
Viajou por tempos, lugares e viu pessoas diferentes.
E a cada novo filme que começava na tela ela seria um novo papel, sempre; ela nem pestanejava.
Mariângela, tão nova, ruiva, de cabelos amarrados, saindo de sua meninice, esbugalhou tantos seus olhos que virou personagem de cinema; levantou do sofá, esticou pernas e braços e mergulhou tela adentro, porque era ali que ela sabia que precisava viver.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Balada aos meninos de rua



Eles estão na rua,

Eles passam fome,

Eles andam descalços,

Eles ainda são homens;

Eles te pedem uma mão,

Eles te pedem uma ajuda,

Eles estão em desespero,

Eles te roubam dinheiro;

Eles não tem culpa,

Eles não tem ajuda,

Eles não tem casa,

Eles não tem nada;

Eles não te culpam por nada,

Eles nem usam a mesma calçada,

Eles são produtos de eleição,

Eles ainda te pedem perdão;

Eles são só uns meninos,

Eles são tão pequeninos,

Eles tem medos de adulto,

Eles são o teu medo,

Eles são jogados,

Eles são usados,

Eles abusados,

Eles educ

Eles ação

Eles ...

Precisam de chão..

Colchão.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Procura-se poesia...


"O fato é que quando estamos sós, por motivo qualquer que seja, nos tornamos pensantes, viventes, colhedores de desejos e de soluções. A melancolia nos torna vulneráveis aos sentimentos e sentimos que o estar só, em si, nos faz mais fracos, porém mais astutos. As vezes é preciso chorar, derramar rios de lágrimas para nos esvaziarmos, ou é preciso pintar palavras ou cores, e é por isso que precisamos da solidão. Quando se quer achar algo, se procura, ou então ficamos a recitar coisas sem sentido algum. Não insista em procurar a beleza nas coisas belas, a verdadeira fotografia dos sentimentos está no inesperado, no inútil, e só também com o sentimento é que se vê a razão da arte, ou então, se ela não tem razão..."


"Ou somos uns eternos palhaços a caminhar em busca do que talvez só seja melancolia e desatino...?"

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Para os que precisam de outro...


Agora, de frente pra ele, e olhando para as minhas mãos, eu vejo o quanto cresci, e diferentemente dele, sei que me tornei uma mulher. Meu rosto, meu corpo, não negam, e apesar do fato dele ter feito sexo nos diferenciar, eu sei que ele ainda é um menino cheio de expectativas e sonhos que ele deseja ter, um garoto que ainda faz do sentido da vida as emoções e gosta de curtir decepções, um pequeno menino desajeitado, que de homem crescido só tem a pose, pois ele ainda sonha e vive como criança, brincando de ser um personagem a cada nova emoção que ele sente, um adolescente, e não um homem, e isso nos difere em um ponto onde, não é de um menino que eu preciso, e sim de um homem que precise de uma mulher...

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Meu amor...


Nas folhas rasgadas

Dos cadernos amassados

Estavam aqueles teus versos

Contidos daqueles sentimentos

Palavras de cansaço

De amor embriagado

De duas vidas enganadas

Se nos amamos ontem

Nas areias, de frente pro mar

Na ultima tarde de sol da ultima quarta-feira...

Foi sonho!

E saudade de te amar

Meu amor...

Vestido branco

Quando a moça, vestida naquele vestido branco, vira o seu reflexo no espelho, começava a sentir-se um pouco mais atraente, gostava de se observar, ver suas faces e delineadas curvas, coisa que ninguém jamais imaginara, nem ela, sentia imenso prazer e queria ser amada, encontrar outro que pudesse contorna-la e rabisca-la e fotografá-la, mas ela sabia que indiretamente alguma coisa maior tomava toda essa sensualidade e colocava a perder curvas e gestos, tinha medo e receava não ser tão bela e tão apreciada, não o quanto gostaria, e sempre ao tentar ousar, algo saía errado, nem sabia mais se era mulher, porque agora ficava horas vendo futebol e filmes proibidos à noite, e era nessas horas que precisava mais ser amada, ser tomada a cama, ter seu corpo desenhado, e liberar suas noites mal dormidas... Queria seduzir, tornar alguém em chamas, transformar todo esse medo em prazer, e depois dormir... e de manhã acordar, escutar um bolero, arrancar-lhe à força os lençóis e... a noite se deturpar com todos os seus insaciáveis desejos, e tornar-se mais uma. Despir-se de seu vestido branco, afrouxar-lhe os cabelos e ser de novo alguém que precisa de amor...



segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Que dia.

Já era hora de arrumar as malas e voltar pro caos da cidade. Pra'quela vidinha requintada...
Difícil só seria olhar pra toda aquela gente e ter que distribuir sorrisos esticados e abraços fedorrentos. Chegar em casa e encontrar as mesmas velhacas sentadas no sofá pintando as unhas e escovando os cabelos, mixiricando da vida de toda a vizinhança e falando de política sem saber sobre o que é socialismo nem na teoria e não poder se meter. Escutar todas aquelas conversas irritantes e intermináveis de putas à amantes, daqueles velhos peidorrentos. Acordar com aquelas pirracentas crianças infernais fazendo barulho de manhã cedinho. Andar debaixo daquele calor desértico de trinta e oito graus e me fuder debaixo daquelas chuvas imprevisíveis porque já não fazem uma porra dum guarda-chuvas bom na cidade. Correr atrás daquelas lotações ferradas e abarrotadas de gente, que dá medo até de encostar pra gente não pegar tétano. Assistir a aula daquele filha duma puta daquele professor, que porque acha que tem uma porra dum diploma sabe mais que o mundo todo e despreza nós, pobres e reles estudantes mortais. Fora ter de olhar pra cara daquela puta forjada à loira que vive dando em cima do meu namorado e não se toca que até um espanador é mais caliente, sexy e charmoso do que aquele pixaim que ela carrega na cabeça e jura que abala. Pegar de novo aquele cacete daquele ônibus e ir cheirando suvaco o caminho todo até chegar em casa. Ter que comer macarrão de tarde e de noite porque a mãe não fez comida e a única coisa que tem é o resto do almoço. Se dividir entre um capítulo do livro e a novela. E ir dormir sonhando em bater aquele prato de cuzcuz com ovo de tanta fome que te deixaram!

- Ai ai, e eu aqui, nessa droga de caos aéreo!

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